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"Detenção de Vieira? Não foi surpresa para mim nem para ninguém"


Presidente do Sporting falou ainda sobre as claques leoninas.


Frederico Varandas concedeu uma esta sexta-feira uma longa entrevista ao semanário Expresso, na qual comentou a detenção de Luís Filipe Vieira, no âmbito da operação 'Cartão Vermelho'.


O líder dos verde e brancos diz não ter ficado surpreendido com a detenção do homólogo benfiquista, pedindo que "não se fique por aqui"


"É uma luz ao fundo do túnel. E vendo o que ocorreu recentemente com a detenção do presidente Luís Filipe Vieira só peço que não se fique por aqui. Que haja coragem para ir até ao fim, seja quem for a pessoa, o cargo, o estatuto. A detenção de Vieira não surpresa nem para mim nem para ninguém, e é justamente isso que descredibiliza a Justiça", começou por dizer Frederico Varandas.


"Não sou jurista, mas percebo que faça muita confusão a qualquer português que um presidente de um clube — falo de Pinto da Costa, não temo dizer o seu nome — seja apanhado em escutas a oferecer serviços de prostituição a um árbitro! Ou seja, a corromper um árbitro. Mas dado que as escutas não foram aceites pelos tribunais, ignoraram-se. Isto entra na cabeça de algum português? Mas depois, se essa pessoa tem “n” títulos, é respeitada, porque ganhou. Mas ganhou como? Assim? Isso não entra nos meus valores... Se foi assim, não pode dirigir nenhum clube do país", acrescentou.


Voltando-se para questões internas dos leões, o presidente do Sporting criticou a claque do Sporting que "achava que mandava no clube".


"Quando ganhei as eleições, há quase três anos, o principal adversário do SCP era a instabilidade criada pelo próprio clube. Só após o segundo ano de mandato é que finalmente comecei a preocupar-me com os nossos rivais. Mais do que o Benfica ou o Porto, o nosso maior adversário era a instabilidade. Estávamos a caminhar não para mudar de treinador semana a semana, mas sim de direção: um ano desportivo mal conseguido... demissão da direção! Esta espiral, que ia matando o clube, era muito criada pelo que já falámos — as claques — mas também por um conjunto de “notáveis” que se olham com muita importância no SCP mas que de facto não têm nenhuma importância para os sócios... Ao primeiro desaire dão uma entrevista de “como se deve fazer”. Dão “bitaites”, sabem tudo, mas nunca ganharam nada", atirou.


"Fizeram das claques a sua Guarda Pretoriana para se perpetuarem no poder. E as claques apoiavam incondicionalmente a direção em troca de dinheiro e tentavam calar alguém sempre que criticasse essa direção. Esta estratégia de dirigir o clube, que se agravou com a ex-direção, além de ser uma vergonha, era sobretudo estúpida: criaram um monstro que no fim se virava sempre contra a própria direção. Pôr termo à relação promíscua com essa claque era um passo fundamental para devolver a liberdade ao SCP. Essa claque achava, aliás, que mandava no clube: demitia direções, treinadores e passou a invadir e agredir atletas. Custasse o que custasse, teria de acabar. Agora, hoje, quem apoiar incondicionalmente as nossas equipas terá sempre as portas abertas do estádio e do pavilhão", finalizou.

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